Da série: coisas que me fazem bem

– Numa piscina, ficar na posição de um feto e ficar boiando… Gostaria de ter super pulmões e ficar lá durante todo o tempo que quisesse, e não somente durante o tempo que aguentasse.

– Observar um copo/xícara/whatever com café e leite quente. Quando o leite forma uma nata, o vapor fica tentando sair, criando uma dança na superfície.

– Dormir no sol.

– Fazer cafuné.

– Observar casais apaixonados.

– Não ter horário pra acordar e dormir na noite anterior maravilhosamente bem.

Frustração

Eu comecei a tomar Roacutan a quase dois meses. Eu já conhecia de nome o medicamento, já havia lido alguns relatos, vistos fotos e vídeos. Mas minha busca se intensificou nos últimos tempos porque eu iria tomar dessa vez. E, por mais que os corpos reajam de formas diferentes a mesma medicação, é sempre legal ler sobre quem passou pelo o mesmo que nós (eu ao menos gosto).

Além dos relatos, conversei com a médica e também li a bula. Por ser uma medicamento muito forte, é agressivo em diversos níveis e gera muitos efeitos colaterais. Um dos mais preocupantes, é a agressão ao fígado. Meus exames até então estão normais, com nada excesso ou falta. Mas como tenho receio de ter algum problema, já resolvi cuidar dele de forma mais intensiva. Ai que começa minha frustração médica.

Resolvi ir a um nutricionista para que ele me passasse uma dieta rica em alimentos que são bons para o fígado e que ajudariam ainda mais no seu funcionamento. Apenas isso e nada mais. Chegando no consultório informei isso a ele e ele foi me fazendo aquelas perguntas clichês de médicos: se fumo, se bebo, se pratico atividades físicas, se bebo água, quanto, etc. Depois disso, ele me pesou, tirou minha altura e depois medidas de busto, cintura, quadril e braços. Fez aquele cálculo besta de IMC (sim, besta porque o IMC não diz nada específico sobre minha saúde. Existem milhares de pessoas com IMC abaixo do considerado bom e são saudáveis, pessoas com IMC elevado e pessoas com o IMC normal. Todos os grupos apresentam pessoas ou saudáveis ou que precisam de algum tipo de acompanhamento médico). Segundo o médico, estou com sobre peso e PRECISO fazer uma dieta. Sendo que em todos os exames que já fiz, nunca apresentei nenhuma alteração, está sempre tudo ótimo com minha saúde. Não entendi nem vou entender a NECESSIDADE de fazer uma dieta sendo que sou uma pessoa saudável. Pessoa gorda te incomoda? Não engorde.

Ele então me passou uma dieta idiota e ridícula constituída dos clichês que todo mundo que já foi em médico assim sabe, ou quem tenha lido revistas ou procurado sobre na internet: duas fatias de pão integral, iogurte, queijos brancos, pouca gordura de forma geral, carne magra, preferencialmente frango ou peixe e bastante salada. 

Primeiro de tudo: eu não pedi nenhuma dieta para emagrecer.

Segundo: eu sou uma pessoa saudável, não PRECISO diminuir nada nem viver comendo isso que ele me passou. Porque pra uma dieta ser eficaz, ela deve ser inclusa na vida da pessoa. É óbvio que se ficar comendo coisinha integral e tão pouco, vou emagrecer, qualquer retardado pode perceber isso. Mas eu não vou (nem preciso e nem quero).

Terceiro: se estou com sobre peso ou não, isso deve importar a mim. Acho que só deve importar ao médico se pedir algo ou se minha alimentação oferecer risco a minha saúde. E não, ela não oferece.

Quarto: dieta banal, de folhinha de xerox, simples, rústica e que se passa para todos os pacientes sem considerar nenhuma de suas especifidades. 

Quinto: quando pedi explicações sobre o que seriam os excessos que ele disse que não posso cometer, ele não soube me explicar claramente. “Ah, é só pensar no alimento que sabemos quando excedemos, pesa na consciência”. …Ein?! Não cara, quero a definição do excesso. Se for partir da consciência de cada um, sabemos muito bem que não dá certo. Quero saber se uma colher de sopa de manteiga por semana é excesso dentro das minhas particularidades, dentro dos medicamentos que eu tomo e da vida que eu levo. O que é excesso, hã?

Coisas da idade?

Bom, me incomoda isso que muitas pessoas falam de que desenhos são coisas de criança. Ou adesivos, desenhar ou colorir qualquer besteira. Se a pessoa é uma adolescente, isso também é de adolescentes, se a pessoa que gosta disso é uma adulta, idem. Se for uma pessoa idosa, também é coisas de idosas. Uma coisa não é exclusiva de determinada idade só porque elas são ensinadas a isso. Uma pessoa adulta que brinca de bonecas não é infantil, uma pessoa que coloca adesivos fofinhos e coloridos por ai também não é.

Crescemos e vamos evoluindo a cada dia que passa, a cada situação que enfrentamos, a cada filme que assistimos, a cada música que ouvimos, a cada amigo que damos um conselho depois de uma decepção. E mesmo que façamos isso de novo e de novo, cada experiência pode ser diferente, porque vivemos coisas diferentes a cada dia. Um filme visto a cinco anos atrás me trará novas sensações se visto hoje. Uma canção pode trazer nostalgia como a percepção melhor do mundo em que vivo, em como aquela canção foi escrita, o que o compositor queria dizer com todas aquelas palavras que antes pareciam ser “apenas” bonitas. 

Então se uma criança não gostar de rosa ou coisinhas fofas ela deixará de ser criança e passará a ser adulta por gostar de cinza? Ela automaticamente será madura mesmo não tenho vivido nenhuma situação que a amadurecesse? Nenhuma situação que a fizesse pensar seriamente sobre algo, sobre pessoas e sobre o mundo? 

O que eu enxergo

Onde muita gente vê uma barriga, uma gordura e um cabelo desgrenhado, eu vejo beleza.

Vejo a beleza das mulheres que todo dia tem que lutar para não serem expostas ao ridículo perante uma sociedade, simplesmente por serem quem são, por exercer sua individualidade (ou ao menos tentar).

Vejo a beleza dos sorrisos que depois de tanto tabefe na alma, conseguiram sair de um buraco.

Um buraco cheinho de palavras grosseiras, um buraco que te deixa soterrado de negatividade.

Que apesar de tudo, no fundo tem um cheirinho de esperança.

A prova de que nossa sociedade está infestada e infectada com uma praga que nos ofende e denigre todo dia é isso. Uma mulher vai protestar e que fazer isso pelada. Os alvos dos comentários não são os motivos que levaram ela fazer o que fez, qual a sua luta, qual o seu grito, que voz ela quer fazer ouvir. Os comentários são sobre as celulites, sobre a falta ou não de seios, sobre o exceção ou não de cabelo nas axilas. Os comentários não são sobre todos os problemas que ela teve que enfrentar, todos os momentos em que ela foi silenciada. Os comentários nunca são sobre o principal assunto. São sempre os corpos. Objetificados.

Eu vejo o clamor por liberdade. Eu consigo ver as lágrimas que já molharam tantas vezes uma camisa, um ombro ou as bochechas. Eu vejo os gritos, eu vejo a excitação. Vejo a amizade, a sororidade, o carinho e o respeito. O acolhimento de todxs.

Obs.: esse texto está longe de estar bonito como eu gostaria mas eu precisava registrar um pouco do que pensei. Depois espero melhorá-lo.

6 Reminders For When You’re Hating How You Look

1. I would venture to say that perpetual contentment with anything in life is what’s abnormal. You do not have to like how you look at all times. It’s almost worse to force yourself into doing that because honestly, as we all know, forcing emotions to either be there or go away never works. If you’re having a “bad body” day (meaning you don’t like how you look, your body itself is never “bad”) just say, okay, I’m feeling a little crappy about this today, but so are a million other people, and it will pass eventually.

2. Figure out if this is your genuine opinion or if you’re more concerned with how “people” will perceive you. This “people” demon that haunts us is very interesting, because we all seem to be very concerned about this group of faceless monsters who decide who we are based on what we fear we’re projecting to others. It’s crazy if you think about it. Think of someone who loves you, someone whose opinion matters… they’re a person, aren’t they? So I’d venture to assume that they fall under the “people” category, right? … Meaning that not all “people” think these terrible things of you. When you start putting faces to this “people” fear, you’ll start to realize that it’s mostly a projection of your own opinions.

3. If the best thing about you is how you look, I feel compelled to say that it’s time you do a bit of soul-searching. The friends who are worth being friends with aren’t going to care what you look like if they love you for something more than that. Focus on the “more than that” that I promise you other people see. These are the traits that are most innately “you.” Things that don’t rely on your outer appearance. Things that will not fade with time, but rather, grow.

4. There is always an element of attraction that is vital for any relationship, but do you know what’s more important than that? Loving someone for reasons other than that. You would be inspired by how many men and women honestly aren’t as concerned about how physically beautiful you are as much as you make them laugh, and feel loved, and have things in common, and enjoy nights out together, and talk for hours about nothing and everything. That’s where real love derives.

5. Sometimes it is time to make a change. This probably isn’t what you were expecting, but hear me out. The truth is sometimes we do gain weight and sometimes we lose it and we are supposed to fluctuate. We shouldn’t, however, let it get out of control to the point where we are physically incapable of doing things we once loved, are suffering from medical issues, etc. Part of “loving yourself” is being honest with yourself about when it’s time to make a change, and not for the sake of appeasing others or the little gremlins in your head.

6. If you ever need a quick pick-me-up in this department, think about or write down what your body lets you do, not what it prohibits you from. My list consists of things like hugging my little brother, allowing me to think and write and express what I’m most passionate about, to enjoy foods that I love, to smell spring days and move around and travel. Your body is a vessel for your experience, and you will be trapped until you realize that what the vessel looks like is not as important as what it can do.

Obs.: texto copiado integralmente desta página: Thought catalog.

Navio Negreiro

 I

‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço

Brinca o luar — dourada borboleta;

E as vagas após ele correm… cansam

Como turba de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar… Do firmamento

Os astros saltam como espumas de ouro…

O mar em troca acende as ardentias,

— Constelações do líquido tesouro…

‘Stamos em pleno mar… Dois infinitos

Ali se estreitam num abraço insano,

Azuis, dourados, plácidos, sublimes…

Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…

‘Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas

Ao quente arfar das virações marinhas,

Veleiro brigue corre à flor dos mares,

Como roçam na vaga as andorinhas…

Donde vem? onde vai?  Das naus errantes

Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?

Neste saara os corcéis o pó levantam,

Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest’hora

Sentir deste painel a majestade!

Embaixo — o mar em cima — o firmamento…

E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!

Que música suave ao longe soa!

Meu Deus! como é sublime um canto ardente

Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,

Tostados pelo sol dos quatro mundos!

Crianças que a procela acalentara

No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba

Esta selvagem, livre poesia

Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,

E o vento, que nas cordas assobia…

Por que foges assim, barco ligeiro?

Por que foges do pávido poeta?

Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira

Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz!  Albatroz! águia do oceano,

Tu que dormes das nuvens entre as gazas,

Sacode as penas, Leviathan do espaço,

Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas.

II

Que importa do nauta o berço,

Donde é filho, qual seu lar?

Ama a cadência do verso

Que lhe ensina o velho mar!

Cantai! que a morte é divina!

Resvala o brigue à bolina

Como golfinho veloz.

Presa ao mastro da mezena

Saudosa bandeira acena

As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas

Requebradas de langor,

Lembram as moças morenas,

As andaluzas em flor!

Da Itália o filho indolente

Canta Veneza dormente,

— Terra de amor e traição,

Ou do golfo no regaço

Relembra os versos de Tasso,

Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,

Que ao nascer no mar se achou,

(Porque a Inglaterra é um navio,

Que Deus na Mancha ancorou),

Rijo entoa pátrias glórias,

Lembrando, orgulhoso, histórias

De Nelson e de Aboukir.. .

O Francês — predestinado —

Canta os louros do passado

E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,

Que a vaga jônia criou,

Belos piratas morenos

Do mar que Ulisses cortou,

Homens que Fídias talhara,

Vão cantando em noite clara

Versos que Homero gemeu …

Nautas de todas as plagas,

Vós sabeis achar nas vagas

As melodias do céu! …

III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!

Desce mais … inda mais… não pode olhar humano

Como o teu mergulhar no brigue voador!

Mas que vejo eu aí… Que quadro d’amarguras!

É canto funeral! … Que tétricas figuras! …

Que cena infame e vil… Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV

Era um sonho dantesco… o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho.

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… estalar de açoite…

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais …

Se o velho arqueja, se no chão resvala,

Ouvem-se gritos… o chicote estala.

E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,

E após fitando o céu que se desdobra,

Tão puro sobre o mar,

Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!

Fazei-os mais dançar!…”

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais…

Qual um sonho dantesco as sombras voam!…

Gritos, ais, maldições, preces ressoam!

E ri-se Satanás!…

V

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Ó mar, por que não apagas

Co’a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?…

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados

Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são?   Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa…

Dize-o tu, severa Musa,

Musa libérrima, audaz!…

São os filhos do deserto,

Onde a terra esposa a luz.

Onde vive em campo aberto

A tribo dos homens nus…

São os guerreiros ousados

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão.

Ontem simples, fortes, bravos.

Hoje míseros escravos,

Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,

Como Agar o foi também.

Que sedentas, alquebradas,

De longe… bem longe vêm…

Trazendo com tíbios passos,

Filhos e algemas nos braços,

N’alma — lágrimas e fel…

Como Agar sofrendo tanto,

Que nem o leite de pranto

Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,

Das palmeiras no país,

Nasceram crianças lindas,

Viveram moças gentis…

Passa um dia a caravana,

Quando a virgem na cabana

Cisma da noite nos véus …

… Adeus, ó choça do monte,

… Adeus, palmeiras da fonte!…

… Adeus, amores… adeus!…

Depois, o areal extenso…

Depois, o oceano de pó.

Depois no horizonte imenso

Desertos… desertos só…

E a fome, o cansaço, a sede…

Ai! quanto infeliz que cede,

E cai p’ra não mais s’erguer!…

Vaga um lugar na cadeia,

Mas o chacal sobre a areia

Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,

A guerra, a caça ao leão,

O sono dormido à toa

Sob as tendas d’amplidão!

Hoje… o porão negro, fundo,

Infecto, apertado, imundo,

Tendo a peste por jaguar…

E o sono sempre cortado

Pelo arranco de um finado,

E o baque de um corpo ao mar…

Ontem plena liberdade,

A vontade por poder…

Hoje… cúm’lo de maldade,

Nem são livres p’ra morrer. .

Prende-os a mesma corrente

— Férrea, lúgubre serpente —

Nas roscas da escravidão.

E assim zombando da morte,

Dança a lúgubre coorte

Ao som do açoute… Irrisão!…

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus,

Se eu deliro… ou se é verdade

Tanto horror perante os céus?!…

Ó mar, por que não apagas

Co’a esponja de tuas vagas

Do teu manto este borrão?

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão! …

VI

Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!…

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio.  Musa… chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto! …

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança…

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo

O trilho que Colombo abriu nas vagas,

Como um íris no pélago profundo!

Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga

Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!

Andrada! arranca esse pendão dos ares!

Colombo! fecha a porta dos teus mares!

Dá série: coisas que eu acho absurdamente estúpidas

E burras (e que me fazem ter vontade de sacar uma pexera da cintura):

– Ficar buzinando sem parar quando o trânsito para. É sério que tem gente que ainda não percebeu que isso não fará nada melhorar?!

– Perguntas óbvias.

– Pessoas que não sabem falar ao telefone (enquanto fala com você na linha, tá pedindo pão no balcão da padaria, tá dando oi pro cachorro da vizinha, etc.). Telefones para mim foram feitos para se falar apenas o necessário e estritamente o necessário.

– Quando sou interrompida no meio de um raciocínio.

– Quando gritam desnecessariamente (as vezes precisa. Viu uma pessoa na rua que não via a muito, quer ir lá cumprimentar. As vezes num show ou qualquer outro local muito cheio).

– Quando eu atendo o telefone, informo que pessoa X está indisponível no momento e pergunto se a pessoa que ligou quer deixar recado e ela informa que não, não quer deixar recado. Mas ela não entende o que significa “não quero deixar recado” e começa a disparar algo. “Ah, mas informa elx que Y”, “diz então que Y”. Cara, isso é recado. Você é analfabeto funcional?

– Automóveis que fecham cruzamentos. Acho que esse é o item que mais me da raiva de todos. Tem lá, um cruzamento enorme, com vias largas e super movimentadas. Mas, se todo mundo fizer sua parte, apesar do grande fluxo, as vias são ficariam obstruídas e o trânsito andaria de forma harmoniosa. Mas nããão, tem que ter um idiota (ou vários – geralmente são vários mesmo) pra sair se enfiando em qualquer espaço, vendo que o semáforo está prestes a fechar. Como se ficar apinhados e grudado no carro da frente fosse mudar alguma coisa. Ai começa a buzinação (outra classe de babacas que já citei acima).

Pepê e Neném

Não sei porque diabos essa dupla me veio na cabeça. Pra quem não sabe quem foram/são: elas surgiram acho que no Gugu (na época em que era do SBT ainda) e anos atrás e fizeram algum sucesso. Eu era novinha e não acompanhei nem acompanho a carreira delas mas como assistia muita TV na época, eu via notícias e participações em programas.

Há um tempo atrás, foi mostrado que elas estavam na pior. O empresário passou a perna nelas, elas estavam sem grana até mesmo para pagar o aluguel, passando diversas dificuldades.

Foi ai que eu lembrei de uma coisa… se fosse a algum tempo atrás, eu provavelmente as teria culpado de alguma forma. Teria as chamado de bobas, “como alguém é passado pra trás assim? Fazer tantos shows e vender tantos CD’s e não ter dinheiro? Impossível, fizeram merda, não tem condição”. Teria dito isso e pensado mais um monte de baboseira.

E é aqui, que também entra o feminismo. O feminismo que defende as mulheres, primeiramente. Que informa, incansavelmente, que mulheres não devem ser culpadas pelas merdas que passam. O que essa dupla passou, não necessariamente tem a ver com abusos físicos, mas psicológicos sim. E não necessariamente falo de homem X mulher nessa relação de roubo que elas sofreram, é só uma alusão de que nunca devemos culpar uma vítima por ter sofrido o que sofreu. Seja isso um assalto, um sequestro, abusos físicos ou psicológicos ou o que quer que seja. Ninguém tem culpa de ter sofrido nada. Se fosse de livre escolha, não se chamaria ABUSO, né?

Sem vandalismo

“Eu não tô afim de fazer uma introdução (ou mesmo um post) muito longa, então vamos direto ao assunto: as manifestações que tomaram conta das ruas do Brasil pedem, em altos brados, “sem violência”; “sem vandalismo”. Clamam pacifismo e se orgulham de serem parte de um manifestação sem dano algum.

E ao mesmo tempo pedem por uma revolução?

Nunca houve uma revolução sem violência. A violência chama atenção.

Eu gosto de violência? Não. Eu participaria de um ato de violência? Não.

Estou claramente tirando o meu da reta, por N motivos.

Mas a violência é necessária em um país onde mudanças profundas são necessárias? Sim.

Mantidas as devidas proporções, a Revolução Francesa não ocorreria sem a tomada da bastilha. A unificação da Alemanha não teria rolado sem a destruição do Muro de Berlim.

Tô falando que é a mesma coisa? NÃO. Por isso, sempre que vou exibir esse meu ponto de vista, eu faço a maior questão de repetir a mesma frase: “mantidas as devidas proporções”.

A bastilha e o Muro eram símbolos fortes.

Mas bancos também são. Estátuas também são. Metrôs e ônibus também são. O Congresso Nacional também é. Patrimônios públicos também são.

A Europa é vista como exemplo pra tantas coisas. As manifestações de lá são preenchidas de violência. Esses são manifestantes, buscam um futuro melhor, querem mudanças. Aqui são vândalos.

Diversas manifestações já foram feitas no Brasil: contra Marcos Feliciano, Marcha das Vadias, a favor de aborto, pedindo aumento do salário dos professores… Perco a conta. Todas “pacíficas”. Todas receberam atenção. Nenhuma causou medo. Nenhuma causou furor. Nenhuma mobilizou tanta gente. Nenhuma provocou reflexão.

Agora que ônibus são queimados, estátuas são pichadas, bancos são destruídos… Agora o governo tem medo. Agora o governo vê o que o povo é capaz de fazer.

E são as mesmas pessoas que usam máscaras do Guy Fawkes (sabe aquele que disse “People shouldn’t fear their governments; governments should fear their people”? Pois é) que clamam por pacifismo (ou passividade?).

O que precisa ser esclarecido é: “vandalismo” (como vocês chamam) não “desmoraliza” o movimento. O que desmoraliza o movimento, o que minimiza o movimento, é a falta de união dos manifestantes. Como assim vocês querem uma revolução onde os participantes deduram um ao outro? O governo não concorda com isso de “vandalismo desmoraliza o movimento” (oi, Dilmão, cê não tava lá lutando contra ditadura?). Mas quando os próprios manifestantes clamam isso, o Estado se apropria desse discurso. Vocês estão abaixando a cabeça pros representantes do inimigo e, consequentemente, pro inimigo em si. Vocês estão aceitando ordens e esperando uma revolução.

Eu não sou a favor de bomba de gás lacrimogênio, não sou a favor de bala sendo disparada a esmo (de borracha ou munição de verdade), não sou a favor de cacetete, não sou a favor de spray de pimenta. Sou a favor da união dos manifestantes. Sou a favor do governo, do Estado, dos “representantes” verem que nada funciona se o povo não funcionar. Sou a favor do protesto, sou a favor da mudança, sou a favor da revolução. E nada disso acontece se todo mundo continuar abaixando a cabeça e aceitando ordens.

Manifestações incomodam, saem da zona de conforto, fogem do costume. É isso que é preciso quando uma revolução é tão necessária. Aceitação não vai gerar mudança. Obediência não causa revolução.”

Obs: este texto não foi escrito por mim. A autora prefere ficar no anonimato.