Pepê e Neném

Não sei porque diabos essa dupla me veio na cabeça. Pra quem não sabe quem foram/são: elas surgiram acho que no Gugu (na época em que era do SBT ainda) e anos atrás e fizeram algum sucesso. Eu era novinha e não acompanhei nem acompanho a carreira delas mas como assistia muita TV na época, eu via notícias e participações em programas.

Há um tempo atrás, foi mostrado que elas estavam na pior. O empresário passou a perna nelas, elas estavam sem grana até mesmo para pagar o aluguel, passando diversas dificuldades.

Foi ai que eu lembrei de uma coisa… se fosse a algum tempo atrás, eu provavelmente as teria culpado de alguma forma. Teria as chamado de bobas, “como alguém é passado pra trás assim? Fazer tantos shows e vender tantos CD’s e não ter dinheiro? Impossível, fizeram merda, não tem condição”. Teria dito isso e pensado mais um monte de baboseira.

E é aqui, que também entra o feminismo. O feminismo que defende as mulheres, primeiramente. Que informa, incansavelmente, que mulheres não devem ser culpadas pelas merdas que passam. O que essa dupla passou, não necessariamente tem a ver com abusos físicos, mas psicológicos sim. E não necessariamente falo de homem X mulher nessa relação de roubo que elas sofreram, é só uma alusão de que nunca devemos culpar uma vítima por ter sofrido o que sofreu. Seja isso um assalto, um sequestro, abusos físicos ou psicológicos ou o que quer que seja. Ninguém tem culpa de ter sofrido nada. Se fosse de livre escolha, não se chamaria ABUSO, né?

Sem vandalismo

“Eu não tô afim de fazer uma introdução (ou mesmo um post) muito longa, então vamos direto ao assunto: as manifestações que tomaram conta das ruas do Brasil pedem, em altos brados, “sem violência”; “sem vandalismo”. Clamam pacifismo e se orgulham de serem parte de um manifestação sem dano algum.

E ao mesmo tempo pedem por uma revolução?

Nunca houve uma revolução sem violência. A violência chama atenção.

Eu gosto de violência? Não. Eu participaria de um ato de violência? Não.

Estou claramente tirando o meu da reta, por N motivos.

Mas a violência é necessária em um país onde mudanças profundas são necessárias? Sim.

Mantidas as devidas proporções, a Revolução Francesa não ocorreria sem a tomada da bastilha. A unificação da Alemanha não teria rolado sem a destruição do Muro de Berlim.

Tô falando que é a mesma coisa? NÃO. Por isso, sempre que vou exibir esse meu ponto de vista, eu faço a maior questão de repetir a mesma frase: “mantidas as devidas proporções”.

A bastilha e o Muro eram símbolos fortes.

Mas bancos também são. Estátuas também são. Metrôs e ônibus também são. O Congresso Nacional também é. Patrimônios públicos também são.

A Europa é vista como exemplo pra tantas coisas. As manifestações de lá são preenchidas de violência. Esses são manifestantes, buscam um futuro melhor, querem mudanças. Aqui são vândalos.

Diversas manifestações já foram feitas no Brasil: contra Marcos Feliciano, Marcha das Vadias, a favor de aborto, pedindo aumento do salário dos professores… Perco a conta. Todas “pacíficas”. Todas receberam atenção. Nenhuma causou medo. Nenhuma causou furor. Nenhuma mobilizou tanta gente. Nenhuma provocou reflexão.

Agora que ônibus são queimados, estátuas são pichadas, bancos são destruídos… Agora o governo tem medo. Agora o governo vê o que o povo é capaz de fazer.

E são as mesmas pessoas que usam máscaras do Guy Fawkes (sabe aquele que disse “People shouldn’t fear their governments; governments should fear their people”? Pois é) que clamam por pacifismo (ou passividade?).

O que precisa ser esclarecido é: “vandalismo” (como vocês chamam) não “desmoraliza” o movimento. O que desmoraliza o movimento, o que minimiza o movimento, é a falta de união dos manifestantes. Como assim vocês querem uma revolução onde os participantes deduram um ao outro? O governo não concorda com isso de “vandalismo desmoraliza o movimento” (oi, Dilmão, cê não tava lá lutando contra ditadura?). Mas quando os próprios manifestantes clamam isso, o Estado se apropria desse discurso. Vocês estão abaixando a cabeça pros representantes do inimigo e, consequentemente, pro inimigo em si. Vocês estão aceitando ordens e esperando uma revolução.

Eu não sou a favor de bomba de gás lacrimogênio, não sou a favor de bala sendo disparada a esmo (de borracha ou munição de verdade), não sou a favor de cacetete, não sou a favor de spray de pimenta. Sou a favor da união dos manifestantes. Sou a favor do governo, do Estado, dos “representantes” verem que nada funciona se o povo não funcionar. Sou a favor do protesto, sou a favor da mudança, sou a favor da revolução. E nada disso acontece se todo mundo continuar abaixando a cabeça e aceitando ordens.

Manifestações incomodam, saem da zona de conforto, fogem do costume. É isso que é preciso quando uma revolução é tão necessária. Aceitação não vai gerar mudança. Obediência não causa revolução.”

Obs: este texto não foi escrito por mim. A autora prefere ficar no anonimato.

Manifestação em BH – 26/06/2013

Bom, lá fui eu ontem na manifestação em BH. Não sei se foi por já ter lido, visto vídeos e matérias sobre o que tem acontecido, mas eu não fiquei com medo como achei que ficaria. Achei que teria vontade de sair correndo logo dali, com medo de bala de verdade (visto que os policiais estavam autorizados a usar e ter tolerância zero – o que não houve perto do Mineirão durante muito tempo visto que eles deixaram o pau quebrar durante eras), com medo de desmaiar e ser pisoteada. Eu vi o que tantos já viram e o que tantos já relataram.

Quando cheguei na Pça Sete, por volta de meio dia, o local já estava cheio. Muitas pessoas já com suas bandeiras tremulantes, cartazes e palavras sendo bradadas. Grupos ainda pintavam cartazes e faixas, outros já se organizavam sobre cantos e palavras de ordem. Existia um caminhão de som e megafones, e uma pessoa “liderou” as falas até ai. Foi pedido que todos se sentassem no chão, que abaixassem as faixas e cartazes e que reproduzissem para os demais tudo o que fosse dito ou perguntado. Decidimos então por votação para onde ir e por onde segui. Isso foi bem rápido e saímos rapidamente da Pça Sete, após definirmos o caminho que seria feito. Foi avisado e instruído que ninguém subisse nos viadutos. Pessoas já caíram de lá, não fazia sentido. Mesmo assim, gente subiu, e mais uma vez, gente caiu.

No caminho, foi muito lindo. Eu fiquei emocionada. Foi a primeira que eu iria com essa dimensão e sabendo dos riscos grandes. Anastasia deu ordens de tolerância zero e outros disseram que foram presos poucos “vândalos” anteriormente. A ordem era descer o cacete sem dó e ainda poderiam usar balas de verdade, caso fosse necessário (a ordem era usar a quem adentrasse numa delimitação de 2km do Mineirão – mas o necessário deles é meio controverso, então teríamos que ficar sempre mais alertas).
Perto do Mineirão grupos incitavam e tentavam furar o bloqueio e vira o mexe um pessoal saia correndo. Mas nada da polícia avançar efetivamente. Ficamos um tempo parados até resolver o que estava mesmo havendo e pra onde deveríamos ir e então recuamos um pouco até em frente às concessionárias. Já estavam quebrando-as inteiras e rolando uma fogueira em frente um posto de gasolina (cara, ‘cês tem medo daquela porra explodir não?!).

Tudo foi aumentando a partir dai. Mais bombas de efeito moral foram sendo lançadas a todo momento de uma rua que polícia ficou “escondida” “apenas” observando o que acontecia (mesmo no caminho até perto do Mineirão, vira e mexe uma explodia, sabe-se lá diabos vindas de onde) e muita gente mandando pedras ou o que quer que fosse na direção dos policiais – que NADA mais estavam fazendo. Só deixando o pau quebrar. O fim do jogo estava perto e pensamos ser melhor ir embora (eu e mais alguns amigos/conhecidos que nos juntamos) porque pensávamos que depois que o pessoal do jogo saísse, ia ficar tenso demais ficar ali. Ficar ali esperar tiro pra matar não era muito inteligente.

Outra coisa que achei curiosa… dava pra perceber que tinha muita gente da favela ali. Eles estavam como sempre estiveram pra enfrentar a polícia. Apenas com uma blusa tampando a cara, de bermuda e um tênis. Enquanto eu, que nunca precisei enfrentar nada disso, estava mais protegida com meu vinagre, meu leite de magnésia e minhas máscaras e lenços. Deu ainda mais ojeriza desse pessoal que brada que “o gigante já acordou”. Foi mal, mas tu que acordou agora, esse pessoal já na rua há muito tempo (tantos os da favela que tem de enfrentar polícia todo dia quanto os partidos). Foi tu que levantou a bunda da cadeira confortável e tirou a bunda de dentro de casa, pra longe do seu apto, do seu computador, e do Toddynho. E foi bom também ver que ao longo do caminho o pessoal dos bairros que não foi, ao menos nos apoiou. Teve gente também que deu água como pode de mangueiras.

Fora o tanto de gente linda que se dispôs a ajudar quem precisasse. Muitos médicos/enfermeiros e advogados voluntários (: Estavam identificados geralmente com camisas que diziam o que eram mas vi gente sem essa identificação ajudando também.

 

Feminismo radical x transfobia: uma visão pessoal de uma quase radfem contra a transfobia

“Lembram-se de que no primeiro post eu disse que falo como autônoma, e não por nenhum coletivo ou partido? Bom, é especialmente importante que vocês mantenham isso em mente nesse post.

Feminismo radical não é só um adjetivo: é uma corrente feminista com uma análise mais profunda do machismo. Nele, a construção de gêneros existe exatamente na subordinação do sexo feminino (mulheres que engravidam, e a biologia delas como fator importante nesse processo) abaixo do sexo masculino. Gêneros, portanto, não seriam apenas artificiais, como seriam necessariamente um fenômeno pautado na misoginia.

O feminismo radical defende coisas que acho interessantíssimas, como lesbiandade como escolha política, separatismo, é anti-pornografia e anti-prostituição, é ligado a questões de cor, enfim.

No entanto, existe transfobia dentro do feminismo radical. De inúmeras formas.

Feministas radicais acreditam que o processo de socialização (se ao verem seus genitais no nascimento ou gravidez disseram “É menino/menina”, e TUDO que decorre a partir daí) importa.

Nisso concordo.

Mas não acho que, por uma mulher trans* ter experiências distintas da minha de mulher cis, ela não é mulher. Ou porque essa mulher trans* tem um pênis.

E aí divirjo de muitas feministas radicais.

Cis, aliás, é um termo bastante complicado: A princípio, cis significa uma pessoa que não é trans*. Nesse caso, é um termo que acho que faz sentido, por ser didático e muito melhor do que dizer “Mulher BIOLÓGICA” ou algo do tipo. Por outro lado, existem ativistas que usam cis como “alguém cujo sexo está alinhado com o gênero com a pessoa se identifica”. Novamente, aí divirjo. Nunca me disseram que eu tinha opção além de ser mulher, porque nasci com vulva. E sabe, no fundo, eu não tenho; pessoas trans* com intensa disforia sabem desde muito novxs, geralmente, que estão sendo criadxs como se fossem de um gênero ao qual não se sentem pertencer. E eu não nego de jeito algum essa sensação de pertencimento ou não pertencimento. Contudo, eu sou mulher não só porque me identifico com algo; é, muito antes, uma questão de ACEITAR um rótulo, por falta de escolha. Não adianta eu me identificar como “sem gênero”, porque detesto as funções sociais que se espera das mulheres, se eu ainda serei lida como mulher. Ter uma vagina é ser considerada estuprável. E, se você é percebida como mulher  trans*, você é simultaneamente negada como mulher considerada estuprável.

O asterisco no termo trans* é outro ponto de atrito, às vezes dentro do próprio transfeminismo. Transgênero é, a princípio, um termo para pessoas que foram consideradas meninas, mas se consideram meninos, ou o contrário. O asterisco é utilizado para transformar trans num “termo guarda-chuva” que abarcaria qualquer pessoa cuja identidade de gênero não se enquadre no binário.

“Identidade de gênero” é outra ideia bastante questionada dentro do feminismo radical.

Depois desse panorama geral das tretas, minha visão: já ouvi muito absurdo tanto no feminismo radical quanto no transfeminismo. Já vi feministas radicais chamarem mulheres trans* de homem de saia ou de estuprador disfarçado, algo muito violento e transfóbico e já vi transfeministas dizerem para lésbicas cis que não cogitar uma mulher trans* como parceira sexual e amorosa é transfobia, o que acho pavoroso. Acho esses discursos perigosíssimos. E fico muito dividida entre isso. Meu coração é feminista radical, mas não posso tolerar transfobia. Porém, não posso tolerar misoginia ou lesbofobia também.

Precisei escrever esse post e ele não tem conclusão, porque ainda não sei como lidar com isso. O que sei por ora é que é mais importante seguir o que acho justo do que tentar ter uma carteirinha de “boa aliada” dada por qualquer um dos lados.”

Obs.: Até aqui, esse texto foi transcrito integralmente desta página: Conselho Punk do Psol. Resolvi transcrever ao invés de só copiar e colar o link porque vai que ele é retirado do ar? Eu gostei do texto e quero guardá-lo aqui (:

Eu também me identifico ainda como uma quase radfem (por concordar com vários aspectos do mesmo, e ser grata a as primeiras rad por terem feito tantos avanços por mim). Apesar de isso soar meio… ridículo (?) pra mim. Parece que estou em cima do muro ou com medo de me ~~assumir~~. O problema de me considerar uma quase é por essas divergências. Não sei se seria certo me considerar radfem visto que não concordo 100% com tudo o que ele aborde. E se for pra ser radfem, acho que deve-se concordar com tudo (posso mudar de idéia também sobre isso…). Concordo com propostas libfem e rad, então sou “apenas” feminista. Sem o rad nem o lib antes.

Não me ensine a temer

Sem título

Fico puta velho. Esses imbecis acham que estuprador vai atrás de mulher que aparece na TV rebolando o cu. Não caralho, eles vão atrás de qualquer uma/um. Eles querem resolver o problema deles com outros corpos. Eles queriam enfiar o pau em qualquer lugar que eles acham que podem. Eles enfiam nas crianças, eles enfiam em idosas e idosos, eles enfiam em bebês e em pernas peludas e em pernas recém depiladas. Que merda velho, vai tomar no cu, sério. Tomar no cu mesmo com brita e álcool com sal. Bando de idiota que acha que só mulher dentro de padrões imbecis são violentadas. Que só mulheres de saia são abusadas. Que só quem pede é estuprada. Vão se foder.

As coisas só vão parar de dar errado quando as pessoas começarem a ensinar suas crianças, que pessoas não devem abusar de outras pessoas. Que pessoas não devem estuprar outras pessoas. Enquanto a política for de ensinar as pessoas (principalmente as mulheres, pois a maioria abusada é deste sexo) como eles devem se vestir, como elas devem temer o outro sexo SIMPLES E PURAMENTE por ser do sexo oposto, os estupros não pararão. Os abusos não pararão.

Chega de ensinar as pessoas a temer. Ensinem as pessoas a não cometer esse tipo de crime.

E o imbecil ainda tem coragem de chamar essa invenção de BIZARRA e logo após quer desmoralizar as feministas (dá muito bem a entender, depois do uso do SIC), já achando que todas serão assim (preconceito mais idiota que o próprio continuar roubando ar de uma bactéria). E se fossem meu caro, algum problema nisso? O que você, caro amiguinho, tem a ver com isso? Por acaso essas são propriedades suas e por acaso você tem algum tipo sequer de direito em controlá-las?

Mais uma vez, só pra deixar bem claro mesmo: VÃO SE FODER!

Seríamos amigos?

Eu relutei até começar a assistir a série New Girl (estrelada pela linda Zooey Deschanel). Geralmente sou assim mesmo com as coisas. Elas surgem num boom, eu vou vendo mas nem ligo e depois de “todos” terem “largado o osso”, eu vou lá e começo a ver/ouvir/ler e vejo se gosto ou não. Com a Zooey foi a mesma coisa. Falavam tanto que eu fui tendo antipatia pela moça. A achava sem graça. Tentei ouvir seus dois primeiros CDs e realmente achei um porre. Tentei a série e foi amor a primeira vista (literalmente – no primeiro minuto eu já gargalhava ao assistir).

E bem, esse final de semana passou um episódio em que duas amigas de infância entravam em divergência e brigavam, no aniversário de uma delas. Pelo bem das duas, uma logo percebeu e foi atrás como pode e elas conseguiram se resolver. E um dos pontos do episódio, era quando elas se perguntavam, se elas se conhecessem hoje, se elas seriam amigas.

As pessoas mudam muito e quando conhecemos alguém a tanto tempo, podemos acompanhar de perto todas essas mudanças. Participando de algumas, outras nem tanto. E bem, algumas coisas tem me incomodado. Eu tinha sei lá quantos “amigos” no Facebook e por conta de picuinha acabei deletando e voltei agora e coloquei na cabeça que só teria gente legal lá, que compartilha das mesmas opiniões e ideologias que eu. Percebi com isso que atualmente, eu não viraria amiga de várias pessoas que a tanto eu convivo. 

“Pedras são sonhos na mão”

Adicione suas ideias aqui… (opcional)

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Muitos de vocês podem estar surpresos com a conduta de Haddad. Afinal, o que ele tem feito pode ser considerado, no mínimo, uma omissão criminosa. São Paulo não é minha cidade, eu não moro lá, sequer conheço bem as ruas que cruzam o chamado coração econômico do país. Eu moro no Rio de Janeiro, local que, hoje, foi tomado por cerca de 10 mil pessoas em protesto pelos mesmos motivos que protesta São Paulo. Mas vocês podem estar surpresos com Haddad, eu não.

Digo isso sem nenhum medo de parecer pedante. E quem estava na universidade em 2007 sabe bem do que estou falando. Eu estudava na UFF. Surgia, naquele ano, um decreto que mudaria de vez os rumos da educação pública federal no país. Sem entrar no mérito dos pontos do Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais (Reuni), a primeira coisa que questionamos era: educação se faz…

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Se o governo não ajudar, o Brasil vai parar!

Ficaria feliz se a cada frase dessa proferida, uma melhoria fosse feita para os Brasileiros.

Eu fico emocionada de ler que protestos tem acontecido por conta do aumento no preço das passagens e por mais que os preços não baixaram, as pessoas fizeram algo. Foram formados grupos e houve agressão verbal, houve tumulto, houve exigências e gritos. Gritos esses que querem ser abafados e tratados os responsáveis como criminosos.

Espero poder continuar vendo e lendo mais sobre protestos. O governo não me faz nenhum favor. Não estou pedindo com singela educação que eu possa ter educação de qualidade e por um preço acessível. Não estou pedindo encarecidamente que eu não morra na fila de um hospital nem pedindo nenhuma esmola quando quero ter meus direitos de cidadã respeitados.

É obrigação do Estado me prover isso. Nós não deveríamos ter que sair as ruas para reivindicar direitos que são meus por definição, desde meu nascimento. Não deveria ser necessário ficar com os nervos a flor da pele pensando se deixo de comer hoje no almoço para ter como me locomover amanhã. Isso é vergonhoso! Dá vergonha (e não é pouca) de morar num país que trata seus cidadãos dessa forma, que fazem com que nós tenhamos que implorar por serviços básicos como saneamento, transporte, trabalho, saúde e educação. E ai, quando fazem algo, temos que tratá-los como seres celestiais, que finalmente deram um jeito no problema!

Uau, só que lembre-se que é sua obrigação, ok?

 

Gentinha

Nossa, como eu detesto gente que é grossa sem necessidade com os outros. Detesto ser tratada mal por frustração dos outros.

Gente que já liga pro meu trabalho alterando a voz, dizendo que alguém ligou para ela e por não saber quem é, quer que você use os poderes de Mãe Diná pra dizer pra ela quem foi. Já que a empregada dela que atendeu o telefone não anotou o número. Como se eu tivesse bola de cristal, já que ela não tem!!

Gentinha assim, aposto que é do tipo que trata quem tem posses e poder super bem e com educação e quem é menos abastado, trata como um trapo velho, um monte de lixo. Gente que chega num restaurante e exige uma mesa. Que reclama da comida servida. Que diz que o serviço é horrííível e quer chamar o gerente para fazer reclamações – e quer falar APENAS com o GERENTE!!

Gentinha assim, trata a recepcionista mal, mas quando o gerente que tem reunião marcada com ela chega na sala, ela abre um enorme sorriso. Afinal, de que importa um recepcionistazinha? Vim até aqui falar com seu GE-REN-TE.

Qual a necessidade disso? Como já disse Bianca uma vez, antes de ser babaca com os outros, pare! – e não seja. 

Deixa a maioria das pessoas que recebem um ódio gratuito mal, chateadas e as vezes acaba com o dia da pessoa.

Mãos frias e joelhos bambos

Ontem estava dentro do ônibus voltando do cursinho para casa. Era cerca de 23:15 da noite quando um homem entrou no ônibus. Ele sentou no banco à minha frente e o observei afastando a cabeça pros lados de forma disfarçada, como se para ver o que tinha atrás. E era eu.

E ele continuou fazendo isso várias e várias vezes durante todo o trajeto. As vezes olhando mais fixamente para trás, como se para ver se o ônibus estava esvaziando.

Logo que foi chegando perto do meu ponto de descida, meu coração foi acelerando. 

“E se ele descer junto comigo? E se ele for me roubar? E se hoje ele tiver saído com vontade de matar alguém? E se for eu?”

E quando finalmente dei sinal e me levantei da poltrona, ele levantou junto. Meu coração foi à boca e assim que as portas se abriram eu tive vontade de sair correndo. 

Minha casa fica a dois quarteirões e meio do ponto. Mas pra ser sequestrada, morta, estuprada ou roubada, dois metros ou dois quilômetros não me protegerão de absolutamente nada.

Atravessei a rua andando a passos largos e parti em direção à minha casa o mais rápido que pude mas sem correr (não sei porque não quis chamar atenção, porque nessas horas é melhor chamar atenção mesmo) e quando faltava metade do caminho percebi que minhas mãos estavam frias e trêmulas, bem como minhas pernas. Achei que fosse cair na rua.

Abri o portão correndo e quando olhei pra trás ele não estava lá. Fechei o portão rapidamente e fui descendo as escadas com certo alívio.

Porém, o muro é baixo e me deixou com medo.

Parafraseando Lolla Moon, podem se passar vários anos e o fato ter décadas de existência, mas o trauma, ah!, esse permanece bem vívido aqui dentro me fazendo tremular sempre que algo o relembre, mesmo que vagamente.